terça-feira, 19 de março de 2013

Quanto tempo para esperar

Imagem retirada de adrianedto.blogspot.com.br
Passei alguns dias acompanhando a paciente. Exame físico matinal, questionamento sobre a qualidade do sono e se estava comendo o que lhe era oferecido. Todos os dias, um após o outro. Naquele dia, além da rotina, fui acompanhá-la em um exame. Após algum tempo de conversa sobre outras coisas da vida, ela falou que iria se casar antes da sua internação. Imediatamente olhei para a sua mão direita e vi como eu havia sido relapsa: não havia associado a aliança ao fato. Nossa, como era possível?
Começamos então a falar disso e seus planos eram derramados ali naquela sala de espera como um grande rio colorido. Era uma vida a dois que se iniciaria, ora, uma nova - e importante - fase da sua vida interrompida por exames de sangue, exames de imagem, exames médicos, exames...
Ela disse que tudo já estava planejado, data, vestido, local. Pensava em como ficaria vestida de noiva com cara de doente. Teria que adiar seus planos.
Então mais uma vez uma verdade se estampou nos meus olhos. Dia após dia examinamos os pacientes e mal nos tocamos que eles são muito mais que sinais e sintomas. Sim, geralmente não perguntamos sobre suas famílias quando estamos atendendo nas enfermarias, ou se não conseguiram dormir por causa de problemas pessoais, ou se ele está com saudades do seu lençol-de-estimação. Vai saber!!!

***

Certa vez, um outro paciente, quando eu perguntei se estava dormindo bem, disse "Tô não, doutora, aqui é muito quente". E eu, com o suor escorrendo no rosto, ri de mim mesma pela pergunta que depois me pareceu infame. "E quem dormiria bem com um calor daquele?"
Precisamos, então, ver ainda mais o paciente como pessoas além daquela enfermidade, que se casam, sofrem de calor, têm "entojo" com a comida que é servida. Afinal, somos todos humanos cheios de vontades e questionamentos, somos singulares na nossa forma de ser.

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